um dia, quando eu estava no 1º período da escola estadual professor francisco faria, eu esqueci de escovar os dentes no tanque depois do almoço. saí correndo da sala de aula pra poder corrigir o problema antes que a aula começasse, e dei de cara com os alunos do 3º período. eles não me deixaram escovar os dentes. "sai daqui criancinha do 1º período! sai daqui pirralhaaaa!". eu saí e fiquei com bafo de arroz e feijão, bolando planos vingativos para quando eu alcançasse o 3º período.
anos depois, na 2ª série da escola estadual duque de caxias, eu ouvia o meu pai falar que a 3ª série era uma das mais difíceis, e que eu deveria me preparar pra começar a levar os estudos a sério. na escola, tinha uma escada que levava à barraquinha que vendia doces e, por algum motivo, eu sempre me imaginava subindo aquela escada quando eu estivesse na 3ª série. bem mais alta, com um rosto bem mais adulto, com o short e a camisa do uniforme. a 3ª série me prepararia para a vida adulta, para os desafios que a vida me imporia dali pra frente. obviamente, continuei com a mesma cara e com o mesmo corpo: a única diferença foi que eu perdi o meu óculos e fiquei sem usa-lo por alguns anos.
quando eu tinha 12 anos, gostava de um menino e sofriiiiiia pq ele me sacaneava. então um dia eu escrevi na minha agenda: "não sei como eu vou me sentir quando ler isso que escrevo a respeito dele daqui a 3 anos. não sei se vou rir e achar tudo idiota, ou se ainda vou estar sentindo a mesma coisa. não sei como eu vou estar com 15 anos". resultado: eu ri, mas não achei idiota. de certa forma, acho que eu ainda sentia a necessidade de provar pra ele que eu havia conseguido crescer feliz. talvez eu até estivesse feliz, mas esqueci de crescer e continuei pensando da mesma forma que pensava quando morria de amores por ele.
com 16 anos, eu comecei a ficar com o fernando e a expectativa de vida do nosso "relacionamento", na minha opinião, era muito curta. por algum motivo, que nem eu mesmo conhecia, eu não conseguia ver nada acontecendo entre a gente. mas, a cada dia que eu pensava "ah, acho melhor eu terminar", eu acabava dando mais um de crédito, "pra ver no que vai dar". conclusão curta, específica de posts de reflexão: mês que vem completamos 4 anos.
enfim, sempre pensei muito no futuro e sempre me assustei muito ao faze-lo. sou completamente avessa a mudanças, odeio pensar que as coisas possam se transformar, ainda que lentamente. a minha sorte foi que as transformações trazidas pela idade e pela consciência que vem com ela se introduziram muuuito sutilmente, e eu muitas vezes nem percebi. e pra ser sincera, não acho que muita coisa tenha mudado.
hoje, então, com 20 anos completos, eu continuo pensando com muito medo no que pode vir a acontecer nos próximos anos. ainda mais desesperador é não ter a mínima idéia. não vou ficar mais alta, e a minha cara só tende a enrugar, já que, assim como a altura, é a mesma desde os 12 anos. o que vai acontecer, então? putaquipariu, dá medo.
mesmo tendo dois únicos objetivos traçados, que é cantar no roupacústico 4, assim como a marjorie estiano cantou no 2 [o 3 pode ser lançado muito rápido, então eu tenho que me dar mais alguns anos], e continuar namorando, comemorei meus 20 anos com algumas pouquíssimas pessoas que, ainda bem, se fazem presentes já em alguns dos meus aniversários. e tamos aí, né?! firme e forte!
talvez eu seja, simplesmente
como um sapato velho
mas ainda sirvo se você quiser.
basta você me calçar,
que eu aqueço o frio dos seus pés.
poesia pura, brasil! purinha!
anos depois, na 2ª série da escola estadual duque de caxias, eu ouvia o meu pai falar que a 3ª série era uma das mais difíceis, e que eu deveria me preparar pra começar a levar os estudos a sério. na escola, tinha uma escada que levava à barraquinha que vendia doces e, por algum motivo, eu sempre me imaginava subindo aquela escada quando eu estivesse na 3ª série. bem mais alta, com um rosto bem mais adulto, com o short e a camisa do uniforme. a 3ª série me prepararia para a vida adulta, para os desafios que a vida me imporia dali pra frente. obviamente, continuei com a mesma cara e com o mesmo corpo: a única diferença foi que eu perdi o meu óculos e fiquei sem usa-lo por alguns anos.
quando eu tinha 12 anos, gostava de um menino e sofriiiiiia pq ele me sacaneava. então um dia eu escrevi na minha agenda: "não sei como eu vou me sentir quando ler isso que escrevo a respeito dele daqui a 3 anos. não sei se vou rir e achar tudo idiota, ou se ainda vou estar sentindo a mesma coisa. não sei como eu vou estar com 15 anos". resultado: eu ri, mas não achei idiota. de certa forma, acho que eu ainda sentia a necessidade de provar pra ele que eu havia conseguido crescer feliz. talvez eu até estivesse feliz, mas esqueci de crescer e continuei pensando da mesma forma que pensava quando morria de amores por ele.
com 16 anos, eu comecei a ficar com o fernando e a expectativa de vida do nosso "relacionamento", na minha opinião, era muito curta. por algum motivo, que nem eu mesmo conhecia, eu não conseguia ver nada acontecendo entre a gente. mas, a cada dia que eu pensava "ah, acho melhor eu terminar", eu acabava dando mais um de crédito, "pra ver no que vai dar". conclusão curta, específica de posts de reflexão: mês que vem completamos 4 anos.
enfim, sempre pensei muito no futuro e sempre me assustei muito ao faze-lo. sou completamente avessa a mudanças, odeio pensar que as coisas possam se transformar, ainda que lentamente. a minha sorte foi que as transformações trazidas pela idade e pela consciência que vem com ela se introduziram muuuito sutilmente, e eu muitas vezes nem percebi. e pra ser sincera, não acho que muita coisa tenha mudado.
hoje, então, com 20 anos completos, eu continuo pensando com muito medo no que pode vir a acontecer nos próximos anos. ainda mais desesperador é não ter a mínima idéia. não vou ficar mais alta, e a minha cara só tende a enrugar, já que, assim como a altura, é a mesma desde os 12 anos. o que vai acontecer, então? putaquipariu, dá medo.
mesmo tendo dois únicos objetivos traçados, que é cantar no roupacústico 4, assim como a marjorie estiano cantou no 2 [o 3 pode ser lançado muito rápido, então eu tenho que me dar mais alguns anos], e continuar namorando, comemorei meus 20 anos com algumas pouquíssimas pessoas que, ainda bem, se fazem presentes já em alguns dos meus aniversários. e tamos aí, né?! firme e forte!
talvez eu seja, simplesmente
como um sapato velho
mas ainda sirvo se você quiser.
basta você me calçar,
que eu aqueço o frio dos seus pés.
poesia pura, brasil! purinha!

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